Parece que a controversa performance "Macaquinhos", já tá exercendo seu propósito artístico, no sentido que tem feito o público discutir o assunto - a arte contemporânea, sob seu viés mais marcante, questiona mais do que responde. Partindo disso, uma obra apresenta uma realidade, ainda que uma realidade inventada, aberta a interpretações diversas, e é o proprio público que irá responder -- ou, muitas vezes, se desdobra em mais questionamentos ainda, >> refletindo << a respeito do tema.
Já em relação à performance "Macaquinhos", fruto da moralismo no qual estou inserida, ou ausência de empatia mesmo.
Confesso que não me sinto mto impelida a assistir, mas fiquei pensando em como o corpo humano ainda é tabu. Mesmo já tendo sido banalizado, santificado e sepultado; mesmo ja tratado e retratado como mercadoria; já meio século passado de Andy Warhol e suas Marilyn Monroes estampadas em série ao lado de enlatados industriais - tudo em cores deliciosamente atraentes. É curioso como a erotização dos órgãos os tornam alvo de censura e 'linchamento' - vide os mamilos da Karina Buhr e as mulheres que não mais devem amamentar em público. Mas, afinal, os seios não são feitos pra isso? O apelo sexual a eles atribuídos é que foi instituído.
Aliás, a própria visão do sexo como obra do demo foi instituída, abrindo um caminho devastador pra boa parte das doenças psico-emocionais do homem contemporâneo -- Há uns dias, em um doc sobre karma e sexualidade, vi o palestrante dizer como a propria vestimenta é repressora, a partir do modo como foi imposta (pelos europeus) para tapar as partes íntimas, encarando-as como algo pecaminoso, feio. Pecado?? Em tempos de funk proibidão e de peitos que se parecem bundas nas propagandas de cerveja, espanta o moralismo estar tão enraizado entre nós. É incoerente, díspare, insano.
O corpo, por si só, é nada além de um amontoado de átomos. Mas demorou para poder ser visto e estudado como tal. O filósofo Paulo Ghiraldelli pontua que os estudos de anatomia só vieram depois de Descartes "Abrir o corpo de um defunto para estudá-lo ainda era proibido pela Igreja Católica, uma religião que cansou de nos dizer que deveríamos cuidar da alma mas que, por um materialismo extremo, sempre se preocupou com o corpo. (...) A primeira Guerra Mundial tornou a anatomia e a fisiologia da abertura uma prática de todos. Só o pornô ginecológico fechou o uma era."
E por que o ânus ainda é tão polêmico? Por que mais da metade dos homens nunca foi ao urologista? Por que boa parte destes mesmos homens são obcecados pelo sexo anal? Ghiraldelli cita Hans Carossa , apontando a curiosidade que homem tem por orifícios: "O homem é a única criatura da terra que tem vontade de olhar para o interior de outra’. (...) Trata-se do ser que tem uma epistemologia inspetora, violenta, que está na criança que quebra um brinquedo para ver o que há dentro." Mas como, por que essa pulsão?
Embora "Macaquinnhos" possa levantar sem responder todas essas perguntas; quando li sobre a performance, me ocorreu a atual cena virtual, onde a vida privada vem, cada vez mais, se confundido com a vida pública. Intermediadas pelas mídias socias, de um lado da tela do smartphone temos a superexposição da intimidade do indivíduo (vídeos de seu cotidiano, nudes, selfies pós-sexo, etc) . Do outro, a obsessão pela intimidade alheia (seguidores, voyeurismo, stalking, etc etc). É um fuçando no cu do outro.
ArteVista
terça-feira, 24 de novembro de 2015
domingo, 15 de setembro de 2013
"Estamira - beira do mundo"
Contemplação, catarse, reflexão e refluxo: 70 minutos permeados pela dialética infinda entre arte e vida.
O medo, a morte, a maestria travestida em trapos. Sacos, sacolas; sonhos embalados em tempos sórdidos, inóspitos; onde o vazio preenche a sala. E preenche a cena, na cadeira inabitada que denuncia a ausência - o desconhecido íntimo, ínfimo descuido que abrigaria o destino.
A carne, o sangue, o laço etéreo de quem vive e não vê. Na espera estéril por quem voa e não volta. – Entre o que se foi e o que se é, quiçá a quântica daria conta; por transcender Descartes e sua lógica confortante.
Razão? Sanidade?
Com quantos e quais dedos se mede a lucidez; na insensatez cósmica, quase absurda, da existência humana?
No subúrbio da via-láctea estamos todos flutuando a esmo. Na beira do mundo, produzimos sofismas relativos – sons que não se propagariam no vácuo. Acuado pela incerteza, o homem,há tempos, imprime no barro, na rocha ou no mármore, sua passagem pelo mundo. Pela pós-modernidade, faz do lixo industrial a matéria-prima para uma grande e equivocada Land Art , figurando sua permanência na Terra.
Em meio ao caos, na era onde a sustentabilidade é sonho, o ar em brisa transpõe a máquina, nos lembrando da essência cíclica do mundo. Somente o vento poderia traduzir o pensamento dessa profetisa; indiferente ao chorume do chão, justamente por saber voar. Alvo fácil na mira de padrões emoldurados, ela mira o que não se toca e nos faz perceber que não existem limites na experiência – divina – da vida.
Sim, somos o absurdo. O ‘milagre ambulante’; enclausurado, tantas vezes, em embalagens herméticas, sintéticas, inventadas. No rompimento de barreiras instituídas, a liberdade pode soar, então, como uma ameaça -- pondo em xeque a segurança garantida pela padronização, quase industrial, da existência.
Ela vê e grita. Tantos tacham, outros riem. Mas, qual lixo que não morre no cesto, ela continua seu fado; ainda que oculta aos olhos da ordem, supostamente, estabelecida.
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| "Estamira - beira do mundo" com Dani Barros, direção: Beatriz Sayad. (foto: Helton Pérez) |
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
enquanto a chuva lamenta...
"Fala comigo?!
como se fosse a chuva.."
O pedido ainda reverbera, como se a segunda-feira comungasse do drama vivido pelos personagens, e se fechasse - nebulosa - num ato de compaixão, complacência.
Um par define-se por algo divisível por 2.
O que os tece? Em que momento a fita desfaz o laço, para se tornar patíbulo, forca?
Não há pares que não sucumbam às amarras sutis da rotina (?); sorrateira, em seu véu de silêncio e pavor.
Como fundir-se ao outro, sem se perder?
Como encontrar-se em casa, qdo cada parede parece fronteira?
O medo, a parcialidade e o ego - o eco, o eco, o eco...........
A tensão, envolta por uma estética onírica - lamento e nostalgia.
Gracias, Nill Amaral pelo fragmento de tempo. ^^
(como se fosse a trilha: http://youtu.be/An3qsaW7snM)
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| "Fala comigo doce como a chuva" - de Tennessee Williams., direção Nill Amaral |
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
"Sempre que se cante uma cantiga de ninar e (...) que, por HÁBITO ou INCLINAÇÂO, a gente se entregue a cantos e danças, a folguedos, para marcar a passagem do ano; sempre que uma mãe ensina a filha a tricotar; ... veremos o folclore em seu próprio domínio, sempre em ação, VIVO e MUTÁVEL.
HÁ QUEM DIGA QUE AS PESSOAS FAZEM TUDO ISSO PARA NÃO ESQUECEREM QUEM SÃO..."
(Ângela maria da Costa)
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
MOVIMENTO EM DEFESA DO FUTURO DE CAMPO GRANDE
Olha gente! que coisa boa!
Em vista dos alagamentos e do crescimento desordenado da city Campão (o Plano Diretor da cidade foi deixado de lado pelos gestores, já há algum tempo); o pessoal ta se reunindo pra montar um MOVIMENTO EM DEFESA DO FUTURO DE CAMPO GRANDE.
"Vamos defender o planejamento da cidade, o fortalecimento do PLANURB, uma pactuação pela cidade do futuro, mais organização urbana e m
Em vista dos alagamentos e do crescimento desordenado da city Campão (o Plano Diretor da cidade foi deixado de lado pelos gestores, já há algum tempo); o pessoal ta se reunindo pra montar um MOVIMENTO EM DEFESA DO FUTURO DE CAMPO GRANDE.
"Vamos defender o planejamento da cidade, o fortalecimento do PLANURB, uma pactuação pela cidade do futuro, mais organização urbana e m
ais idéias para a sustentabilidade. Olhar para a frente com olho no retrovisor, para orientar a caminhada", diz Ângelo Arruda. E completa: "Vamos fazer uma reunião semana que vem com todas as entidades que podem se envolver nesse trabalho. IAB-MS (Dirceu Peters); SINDARQ-MS (Samaria Rosa Souza); ABES-MS; CAU-MS; CREA-MS; SINDUSCON-MS; MPE-MS; etc".
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Além do Highlife
Outro ritmos importantes (ancestrais e modernos com toques de percussão viscerais) conviveram e se fundiram muitas vezes com o highlife, como o jùjú, fuji, apala. Eles foram fundamentais do Congo ao quase extremo noroeste da África… Isso vai gerar vertentes modernas do highlife. Provavelmente foi o ganês Geraldo Pino quem tenha levado as fusões ao extremo antes do afrobeat, absorvendo James Brown e influenciado pra valer o Fela Kuti, que depois de mais algumas tantas influencias vai gerar o Afrobeat em sua plenitude. O próprio Koola Lobitos é muito bom, vai além do axé! Com certeza! E olhe que o axé deve muito a Luis Caldas, ainda pouco falado, mas que já está numa fase de Axé-jazz…
Um abraço, vou deixar aqui um highlife da pesada:
http://www.youtube.com/watch?v=34hg9Ir8efs
Um abraço, vou deixar aqui um highlife da pesada:
http://www.youtube.com/watch?v=34hg9Ir8efs
Highlife
HIGHLIFE é um gênero musical que veio de Gana, Serra Leoa e Nigéria nos anos 1920. Se espalhou pelos países da África Ocidental,onde é muito popular até os dias de hoje. O gênero não tem, entretanto, uma produção significativa em outros países, devido aos desafios econômicos provocados por guerras e instabilidade naquela região.
O highlife caracteriza-se por alguns trompetes de cores chamativas e múltiplas guitarras. Também adquiriu recentemente sons de sintetizadores.
O prórpio Fela Kuti teve 1 banda do gênero em Londres, em 1958, como nome de Koola Lobitos: http://youtu.be/_EhUAoMPncY.
The Sweet Talks é outra referência no estilo:
http://youtu.be/xxZ7SSQvWoY
O highlife caracteriza-se por alguns trompetes de cores chamativas e múltiplas guitarras. Também adquiriu recentemente sons de sintetizadores.
O prórpio Fela Kuti teve 1 banda do gênero em Londres, em 1958, como nome de Koola Lobitos: http://youtu.be/_EhUAoMPncY.
The Sweet Talks é outra referência no estilo:
http://youtu.be/xxZ7SSQvWoY
E Joromi eh um sub gênero do Highlife:
http://youtu.be/rbe7UefYCN8
Ouvindo assim, me parece ser o ancestral do Axé, da música caribenha e até mesmo do tecnobrega, neh não?
http://youtu.be/rbe7UefYCN8
Ouvindo assim, me parece ser o ancestral do Axé, da música caribenha e até mesmo do tecnobrega, neh não?
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